quinta-feira, 22 de setembro de 2016

sábado, 3 de setembro de 2016

Uma conversa edificante


- Vede?

- Vejo.

- Entendeste?

- Não sei bem. É bonito, e ao mesmo tempo triste.

- Tristeza vem da compreensão incompleta. Ainda não vislumbraste bem.

- Mas como vou?

- Aprecia a beleza disto.

- Posso fazê-lo, mas meu intelecto lembra-me todo o tempo que é passageiro. Quão belo, mas quão fugaz! E qual o sentido disto?

- A beleza está na impermanência, que é mudança, que é transformação. Que é (pode ser) "evolução", caminhada rumo ao Altíssimo.

- Mas como apreciar, se o sofrimento está a espreita? No fim, tudo se dissolve. Num momento uma alma toca a outra; já no outro é uma sucessão de erros, é amor morto, gelado, frio; é separação por morte da reação química; é separação por morte trágica.

- Ora, a Morte, quando há estagnação, é uma verdadeira bênção. Vida é Desejo, Morte é Renovação. Vede bem: não foste criado para viver na mediocridade. Sempre que a mediocridade espreita, o Temor de Deus se anuncia.
 Agradecei por isto.
Não darei respostas além disto: busque apenas o bem supremo, percebe a energia em cada desejo, vive, sente e libera. Honra Deus em todas as coisas e assim comunga com a Santidade.
Agora, deixe-me recolhido em meditação!

Então, o noviço deixou o Frade Velho Sábio em seu claustro e foi lavar louça.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Mês do Desgosto

Se antigamente a iniciação era um luxo para poucos, talvez esteja se tornando generalizada e quase obrigatória.

Não digo isso com ares otimistas, veja bem: isso ocorre porque o capeta está, enfim, mostrando o rabo pra qualquer um que não faça questão de se iludir.

Séculos atrás, um camponês era um camponês. A vida era estável, ele não precisava ansiar por nada além de sua meia dúzia de vacas e sua cabana. Alfabetizar-se? Devaneio distante.

Um nobre era um nobre. Não precisava pensar em muito além de joguinhos de corte estúpidos e disseminar suas DST's por aí.

Um padre era um padre. Não precisava pensar em muito além da missa do próximo domingo.

Afinal, a vida é o que é, é estável, tranquila, previsível e ditada por Deus/Destino.

Só que não. Nunca foi, mas isso está incrivelmente mais evidente agora. Tempos líquidos, meu bem. Finalmente uma quantidade relevante de pessoas percebe que nenhum sistema pode prover segurança por um período de tempo muito longo, o que dirá se estender pela eternidade. Está na cara pra quem quiser ver, finalmente, que a liberdade individual não é nenhuma garantia, que o governo/estado/aristocracia NÃO trabalha por um bem comum sustentável, equilibrado, saudável e que permita o progresso de todos. Tudo o que você tem é algum tempo e energia. Gaste-os com sabedoria.

Vale mesmo à pena seguir os padrões sociais que nos ditam que devemos trabalhar muito pra pagar por coisas desnecessárias e constituir um núcleo familiar? Isso vai proporcionar toda felicidade, contentamento, satisfação e respostas às suas indagações sobre a vida? Mesmo que você aposte baixo e só queira uma vidinha tranquila, acha MESMO que isso é possível? Veja as crises políticas e econômicas. As guerras. As doenças. Os desencontros, os desamores, os muitos desejos que se põem sobre qualquer vontade suficientemente fraca e mal formulada. É mesmo favorável persistir nessa ilusão até que, enfim, esse pedaço de barro grosseiro que chamo de corpo caia de lado, talvez prematuramente pelo desgaste excessivo, e se decomponha?

Ainda assim acredita que a vida tem jeito?

É uma resposta que cada um deve buscar por si, mas dou um leve spoiler: não tem, mas pode ter.

Se já está cansado de jogar energia fora e perceber que tudo que conseguiu com este velho jogo foi desesperança e torpor, decida sair desse mar de lama cega das qliphoth. Forge uma vontade firme, busque conhecimento.

O Caminho está todo sob nossos pés. Várias tradições abriram as portas de seus templos e jogaram a sabedoria na calçada para que qualquer um com olhos de ver veja. São tempos privilegiados, ainda que complicados.

Chega de tom panfletário.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

ΚΕΦΑΛΗ ΟΔ

RUA CAREY
Quando NADA tornou-se consciente, fez um mau negócio.
Esta consciência adquiriu individualidade: um negócio pior.
O Eremita pediu amor: o pior de todos os negócios.
E agora ele deixou esta menina ir à América, para ter “sucesso”
na “vida”: perda total.
Não há fim para esta dor imortal
Que me assombra, me assombra acordado ou dormindo?
Se eu tive Laylah, como poderia esquecer
Tempo, Idade, e Morte? Insuportável corrosão!
Fosse eu um ermitão, como suportaria
A dor da consciência, o curso do pensamento?
Mesmo que fosse EU AQUELE, haveria ainda uma marca dolorida -
O Abismo que se estende entre AQUELE e NÃO.
Ainda assim, o primeiro passo não está tão longe:
O Mauritânia zarpa no Sábado!

O Livro das Mentiras, Capítulo 74

sábado, 11 de junho de 2016

Ensinamentos do Guru



Esta mente desperta da consciência não é feita de qualquer substância material, é auto-existente e inerente a você mesmo. Esta é a natureza da mente que não é fácil de realizar porque não é encontrada em qualquer lugar. Esta é a natureza da mente que não é constituída por um observador concreto e por algo percebido sobre o qual se fixar. Ela desafia as limitações da permanência e da aniquilação. Nela não há qualquer coisa a despertar; o estado desperto da iluminação é a sua própria consciência, que é naturalmente desperta. Nela não há qualquer coisa que vá para os infernos; a consciência é naturalmente pura. Nela não há qualquer prática a ser conduzida; sua natureza é naturalmente cognitiva. Esta é a grande visão do estado natural presente em você mesmo: saiba que isto não é encontrado em qualquer lugar.
Quando você entender a visão deste modo e quiser aplicá-la na sua experiência, onde quer que você esteja será o retiro na montanha de seu corpo.

Fragmento d“A Instrução do Apontar o Bastão para o Velho Homem”, por Padmasambhava. 
O texto completo pode ser lido aqui
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